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Aos que sonham e
lutam...
Manifesto dos Círculos Bolivarianos Leonel
Brizola
aos lutadores e lutadoras do povo brasileiro
"Nós defendemos a opinião - por que constatamos
que o sistema econômico e político que
combatemos se transforma passo a passo num meio
de colonização do país pelo capitalismo
estrangeiro, imperialista - que ninguém pode ser
verdadeiro nacionalista ou revolucionário, sem
ao mesmo tempo ser socialista."
José Carlos Mariátegui 1
"A cada dia estou mais convencido, sem nenhuma
duvida em minha mente, e como afirmam muitos
intelectuais, de que é necessário superar o
capitalismo. Porém, o capitalismo não pode ser
superado a partir de dentro do próprio
capitalismo e sim através do socialismo, do
verdadeiro socialismo, com igualdade e justiça.
Por outro lado também estou convencido de que é
possível realizar essa tarefa através da
democracia, porém, não pelo tipo de democracia
imposta desde Washington".
Hugo Chavez 2
Muitos afirmam que as lutas pela soberania
nacional e por uma sociedade baseada nos
interesses históricos dos trabalhadores e das
maiorias oprimidas pelo capital estão superadas.
Para os defensores da globalização neoliberal,
as nações e a defesa dos valores e projetos
históricos do mundo do trabalho constituiriam
anacronismos inaceitáveis. Tentam convencer os
povos latino-americanos que suas históricas
correntes nacionalistas revolucionárias de cunho
popular e classista encontram-se completamente
ultrapassadas pelo maravilhoso mundo
globalizado. Forças Políticas que terminaram por
concluir, no calor das lutas de libertação
nacional que, em nosso continente, ninguém pode
ser um verdadeiro nacionalista ou
revolucionário, sem ao mesmo tempo ser
socialista.
Porém, a complexa situação política nacional e
mundial não corrobora essa atestação fúnebre.
Basta olhar as lutas que estão acontecendo no
mundo, no continente latino-americano e na
República Bolivariana da Venezuela em particular
para perceber que são esses movimentos que
representam, na América latina, o novo, o
moderno e é exatamente por isso que o
imperialismo e seus aliados os reconhecem como
principais inimigos.
As bandeiras políticas de um nacionalismo de
esquerda de cunho popular, classista e
compromissado com o socialismo começam novamente
a obter apoio. A estatização dos bens
privatizados; a expansão do ensino, educação,
saúde e segurança públicas; o planejamento
econômico; a proteção dos mais frágeis pelo
Estado; a luta contra o latifúndio; a defesa das
riquezas nacionais etc., são propostas
crescentemente apoiadas por uma população
golpeada pela mundialização capitalista.
Assim, o aumento vertiginoso da miséria e da
exclusão, e conseqüentemente da barbárie social,
vem enfraquecendo sensivelmente a credibilidade
do discurso neoliberal em todo o mundo,
ensejando uma contra-ofensiva dos povos, de
desigual vigor. Daí as manifestações populares
massivas de pesar pela morte de Leonel Brizola
em 2004 no Rio de Janeiro e no Rio Grande do
Sul, que representaram o reconhecimento de um
líder nacionalista de esquerda que, por se
manter fiel ao programa popular, jamais alcançou
a Presidência, e uma crítica clara a Lula, ao PT
e seus aliados, que traíram as esperanças de
mudanças do povo brasileiro, dando continuidade
ao projeto neoliberal e entreguista capitaneados
pelo PSDB/PFL.
Estamos conscientes de que para romper os laços
que submetem as nações e a população brasileira
e latino-americana à exploração e opressão do
grande capital será inevitável o choque frontal
com o imperialismo e que somente avançando, e
não recuando, poderemos defender e aprofundar as
conquistas populares no Brasil, na Venezuela e
em todo o continente latino-americano.
No II Congresso Bolivariano dos Povos e no V
Fórum Social Mundial, Chávez apresentou o
socialismo como única alternativa ao
neoliberalismo, ao sistema de dominação imperial
que ameaça a humanidade; a partir disso a
revolução bolivariana assumiu a dimensão de um
desafio continental ao imperialismo. A
alternativa socialismo ou barbárie formulada por
Rosa Luxemburgo 3 há um século, aparece hoje
reatualizada em nosso continente pelo
desenvolvimento da história.
Nosso objetivo ao propor aos lutadores e
lutadoras do povo brasileiro a fundação dos
Círculos Bolivarianos Leonel Brizola é o de
colocar o grão de areia de nosso "gigante
adormecido" na construção desse processo
revolucionário que atravessa toda a América
Latina e que tem na luta popular e classista do
povo venezuelano sua expressão mais avançada.
Pretendemos contribuir com a difusão do
pensamento revolucionário bolivariano em nosso
país, relacionando-o com a história de lutas
pela libertação nacional e social do povo
brasileiro.
Propomos ao povo e às organizações populares do
Brasil a construção coletiva de uma plataforma
de lutas em torno da construção do Capitulo
Brasil do Congresso Bolivariano dos Povos 4 ;
uma plataforma que aglutine forças sociais e
políticas oriundas das mais variadas tradições,
que na prática concreta das lutas, vá
articulando e unificando, sem sectarismos e
aparelhismos, um novo bloco histórico
hegemonizado pelos interesses históricos dos
trabalhadores e das maiorias oprimidas pelo
capital.
Temos claro que o avanço desse projeto terminará
recolocando com maior intensidade as
contradições que vivemos em 1964 no Brasil e
pelas quais esta passando a Venezuela nesse
momento e que demonstram que somente poderemos
superá-las aprofundando a revolução através do
povo consciente e organizado e do ideal
revolucionário e bolivariano de unidade
continental de nossos povos na luta pela
independência.
De nós depende que os ideais de Bolívar
prossigam cavalgando pela América Latina.
Revolucionariamente, saudações bolivarianas
Círculo Bolivariano Leonel Brizola - fundacional
1 (1895 - 1930) é um dos maiores expoentes do
socialismo latinoamericano, destacou-se por
contribuir para a constituição de um "marxismo
latino-americano" liberto do eurocentrismo.
2 Presidente da República Bolivariana da
Venezuela
3 (1871-1919) é uma das maiores teóricas e
lutadoras do socialismo alemão. Morreu
assassinada por militares alemães.
4 O CBP é um novo espaço político onde as forças
populares, democráticas e patrióticas da América
Latina possam discutir e encaminhar linhas
comuns de ação rumo a um caminho de integração e
de unidade. É organizado em cada nação por
Capítulos
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